| Fertilidade X Infertilidade Dr.
CARLOS EDUARDO PIRES DE CAMPOS*
Seguindo os preceitos do Livro Sagrado: "Sede fecundo,
multiplicai-vos, enchei a Terra", a maioria das pessoas ainda
considera a procriação o principal dever do ser humano, a
adequação do problema da infertilidade contínua sendo um assunto
de extrema importância para diversas culturas através do mundo.
Cerca de 300 anos atrás, foi inventado o Microscópio e desde
esta época iniciaram os estudos sobre a fertilidade, pois pela
primeira vez foi possível à observação do espermatozóide, também
nesta época que foi descoberto algumas características do óvulo,
após este momento o estudo da fertilidade humana abandonou o
terreno da especulação para se tornar objeto de estudo na
ginecologia e na biologia humana.
Podemos comparar o óvulo humano a uma esfera do tamanho de um
ponto tipográfico (.), observado no microscópio poderemos
aumentar seu tamanho em milhares de vezes, podemos comparar sua
morfologia semelhante ao ovo de uma galinha, como uma espécie de
gema rodeada pela clara, nessa observação é difícil revelar a
espécie que o óvulo pertence, animais tão diferentes entre si,
como por exemplo o elefante e um rato possuem óvulos parecidos.
No centro do óvulo encontramos alguns pontos escuros
(cromossomos) que constituem o material hereditário da espécie,
nos humanos, encontramos no óvulo 23 cromossomos, a mulher
expele apenas um óvulo durante o período fértil mensal, que após
fecundado pelo espermatozóide transforma-se em célula-ovo,
futuramente em embrião e depois feto.
Os espermatozóides humanos podem sofrer várias alterações em
sua morfologia, classificamos tais alterações como:
Espermatozóides Macrocéfalos (apresentam um aumento na cabeça do
espermatozóide), Espermatozóide Microcéfalo (apresentam uma
diminuição na cabeça do espermatozóide), Espermatozóides
Bi-céfalos (espermatozóides que apresentam duas cabeças),
Espermatozóides Bi-caudal (espermatozóides que apresentam duas
caudas), Espermatozóides Ectasias (espermatozóides sem forma
definida) e Espermatozóides Mistos (espermatozóides que
apresentam mais de duas alterações morfológicas em sua
estrutura). Os espermatozóides normais tem a forma microscópica
parecida com a de um girino, composto de cabeça, cauda e
movimento próprio, a cabeça mede em torno de 0,0025 cm de
diâmetro e sua cauda em torno de 10 a 12 vezes esta medida, de
acordo com alguns estudos concluímos que o espermatozóide pode
se locomover até 0,32 cm por minuto, em número por mililitros
(ml) de liquido seminal (esperma) podemos encontrar até
200.000.000 de espermatozóides, e apresentam 23 cromossomos em
sua carga genética, assim quando ocorre a fecundação os 23
cromossomos do óvulo somam-se aos outros 23 cromossomos dos
espermatozóides, dando origem ao novo ser com 46 cromossomos (
23 pares ), com características herdadas tanto do Pai, quanto da
Mãe. Salientamos que qualquer alteração no número destes
cromossomos ou pareamento errôneo surge o aparecimento de
algumas síndromes, como por exemplo: Síndrome de Down, Síndrome
de Turner, Síndrome de Klinifelter, Síndrome de Patau entre
outras.
Através de um exame laboratorial denominado ESPERMOGRAMA,
podemos avaliar a quantidade e a qualidade dos espermatozóides
do homem, possibilitando assim avaliar o poder de fecundação
através do Índice de Botella-Casares.
Na infância os ovários crescem normalmente, desde o inicio
eles contem os óocitos primários (células primitivas dos futuros
óvulos), durante a vida fértil feminina são amadurecidos
aproximadamente 500 óvulos, o restante se degenera. Antes mesmo
da puberdade, quando se inicia o processo de maturação dos
óvulos, alguns óvulos potencialmente férteis já podem ser
expelidos pelo ovário, isso explica a possibilidade de casos de
gravidez infantil.
Na Menarca (primeira menstruação) indica que a mulher esta
produzindo seus óvulos normalmente, no inicio da adolescência,
embora a menstruação seja regular, os óvulos ainda não são
expelidos todos os meses, em geral somente com 16/17 anos que a
ovulação ocorre regularmente, criando condições mensais de
fertilidade. Após a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, os
cromossomos se unem dando origem a célula-ovo e assim inicia-se
a primeira etapa de uma nova vida, esta célula vai se dividindo
interior0mente, se transformando num aglomerado de células
semelhante a uma amora, que recebe o nome de bastócito. Durante
todo esse processo as paredes internas do útero são formadas e
preparadas por ação hormonal para receber a fixação desta
célula-ovo.
No Laboratório de Análises Clínicas são realizadas várias
dosagens hormonais que ajudam a diagnosticar alguma deficiência
hormonal que a mulher venha necessitar num processo gestacional,
entre os mais solicitados podemos destacar: LH (hormônio
lutheinizante), FSH ( hormônio folículo estimulante),
PROGESTERONA, PROLACTINA, ESTRADIOL, ESTRONA, ESTRIOL E
TESTOSTERONA.
Já no diagnóstico da gravidez, é realizado no laboratório a
dosagem de BHCG (hormônio Gonadotrofina Coriônica fração Beta),
exame realizado no sangue, que dependendo do caso, pode
diagnosticar a gravidez, após 3 dias do ato sexual. Portanto
salientamos que vários fatores podem interferir na formação do
embrião/feto durante a gestação, como por exemplo o uso de
medicamentos, infecções por vírus ou bactérias, exposição a
radiações e toxinas, também são particularmente perigosas neste
período. Daí se da a importância do acompanhamento médico
durante este período e a necessidade de realizar um exame
pré-natal.
Nos casos de infertilidade do casal, o clínico tende a
iniciar a investigação sempre pelo homem, pois a infertilidade
masculina pode ser constatada através de um simples ESPERMOGRAMA,
salientamos que para realizar este exame com êxito é necessário
que o individuo esteja no mínimo de 4/5 dias em abstinência
sexual e a amostra deve ser enviada ao laboratório exatamente
após a coleta, o resultado deste exame será liberado no máximo
em 3 dias úteis.
Lembramos que a infertilidade ou a esterilidade de um casal
atualmente é um problema normal na Medicina atual, devemos
esquecer crenças antigas, simpatias transmitidas de geração em
geração, através de lendas relacionadas com a infertilidade
humana, existem vários recursos médicos avançados nesse campo,
como por exemplo a Fertilização in Vitro, o mais importante
ainda que nesses casos de infertilidade deve ser tratado como
infertilização do casal, sem culpar ou apontar o culpado,
informe-se, procure seu ginecologista que ele indicará uma ótima
alternativa para seu caso. Boa sorte e CUIDE-SE BEM!
(*) Dr. Carlos Eduardo Pires de Campos
Biomédico – Patologista Clínico
Especialista e Pós Graduado em Análises Clínicas
Diretor do Laboratório Instituto de Biomedicina do ABC
Diretor do Laboratório de Análises Clínicas Cellula Mater
Delegado Regional do Conselho de Biomedicina / Baixada Santista
Professor Técnico e Universitário
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